segunda-feira, 24 de fevereiro de 2014

Três deusas

Três deusas
Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves
Se a formosa Hera,
da Antiga Grécia, deusa do casamento,
era, de fato,
mais bela e carinhosa que Afrodite,
do amor, sensual e beleza
não há na Ilíada,
qualquer julgamento.
Afrodite
era, entre as deusas,
uma da mais belas
e Hera
entre as deusas, era tão bonita,
como comparar?
Assim, como as deusas formosas
que Homero, poeta, não soube precisar,
qual, de fato, era a mais bela;
a carinhosa Afrodite?
Ou a ciumenta Hera?
Iguais são os seus olhos, preciosa;
eu, poeta de escassos talento,
tento
e não consigo expressar.
Teus olhos vertem um brilho licencioso
e trazem uma luz de fogo e paixão,
mas, misteriosos,
penetram lá dentro d'alma com um suave canto
que leva encanto ao coração.
Triste destino de Homero,
hábil poeta, perdido em uma história de duas deusas.
Pobre de mim, poeta sem cromo,
mesmo que seja sincero,
tenho os teus olhos,
mas é só ilusão.

domingo, 23 de fevereiro de 2014

Na Revolução a degola

Na revolução a degola
Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves
O velho xirú olhava o fogo no chã,
era bueno o estar matutando consigo;
solidão.
Mate amargo,
lembranças do passado.
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De repente o guri se aprochega de mansinho
"-Vô, vem que a boia está no bidê..."
Um olhar de índio macho desfigura o velhinho
"-Cadê o piquete Xerengue?"
"-Vô, não consigo entender..."
 "-Xerengue, bagual e valente,
nem precisa entender,
só degola..."
Foi esta a resposta do velho Coronel Firmino.
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Logo o velho se transporta
para as banda do Rio Negro,
Não viu, mas lhe contaram,
no chão tanta gente morta
e mais gente no aramado
esperando ser degolado.
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Triste cena de revolução
gente bagual atada com açoiteira
desfiadas em tiras,
são presas
a espera do adaga no pescoço.
"- Degola homem, degola Adão."
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São dois mestres na degola,
dos Pica Pau o milico xerengue
das Maragato o preto Adão.
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A degola é arte triste
Mas entenda-se, o gaúcho
homem acostuma do a não ter luxo
tinha pela faca uma admiração.
No chinaredo disputava os favores da china
nas parelha do trunco ou cancha reta enfrentava o ladrão
era assim chamado que tenta lograr
o bagual que não aceitava não.
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Botas manchadas de sangue até a canela,
o carrasco que a todos observava,
O sangue manchava a camisa de manga arregaçada.
Soldados com olhares arregalados,
(dor que desespera)
"há de forte soldado"
pensava consigo o clarim
que deu o toque que pôs um fim
a resistência dos contedores.
Agora, a espera,
triste espera das dores.
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O jovem ao ser degolado
foi jogado no rio jogado.
Até tem quem ouça um lamento
de clarim
tocado em forma de gemido,
desapontamento
por ter a ordem obedecido.
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O último era o bravo Pedroso
Coronel valente e valoroso.
Mas todo o homem cuera
sendo valente e destemido
tem sempre um inimigo.
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Este não tinha um só
tinha muitos, e ali tinha o Adão
pronto pra, sem dó,
lhe passar o facão.
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Quando estiveres no perigo
fite nos olhos, de frente
e enfrente
o inimigo.
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"Quanto vale a vida de um homem valente e de bem?"
Dizem, perguntou Pedroso
mas, afirmar, como, se não existiam mais os seus homens?
"Valente poder ser. De bem, não sei não. A tua não vale nada, pois está no fio da minha faca."
Agora, no fim derradeiro, que homem mostra sua valentia
virou o pescoço á serventia...
"Degola, negro filha da puta."
Se verdade ou não,
só quem viu pode afirmar,
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E o velho Firmino, porque sofria
agora, no fim da vida?
Sofria, pois se Maragatos mataram em Rio Negro
em Boi Preto
ele, algoz fez também a mesma covardia.
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Foram quase trezentos degolados
pobres soldados.
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Um homem para entrar na história
deve ter algum valor.
Vingança é, também, escória,
feita de sangue e dor.

Obs: Baseado em fatos supostamente reais, acontecidos na Revolução Federalista ou Revolução da Degola. Rio Negro e Boi Preto foram marcados pela covardia da degola de prisioneiros indefesos.

sábado, 22 de fevereiro de 2014

Decisão

Decisão
Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves
Fechou a porta da casa
como quem fecha a porta do mundo
machucou sonhos, perdeu asas
atrapalhou-se na vida
de tão longas que são as estradas.
Num segundo
compadeceu-se da própria dor,
não era a mesma pessoa,
ressentida,
não tinha mais aquela busca segura,
faltava até o ardor que dá o alento
a quem procura
uma amor feito em ternura.
O desespero correu nos seus olhos
é tão frio a lagrima rolando no rosto,
vira queimadura  que arde n'alma,
e corre em forma de desgosto.
Pensou na vida com pânico
que assusta de súbito e traz temor.
Não tinha mais nenhuma ilusão.
Estava tudo perdido.
A sogra incomodava gritando na varanda,
não tinha homem, nem tinha marido...
aquilo que tinha não era nada não...
os filhos, criados, já estavam no mundo...
Sorriu no próprio desalento
de um recomeço tão amargo.
Não há quem não tenha sentimento.
O homem furungava no pátio dos fundos
tentava da vida se esconder,
a sogra, ligou bem alto a TV
procurando a todos endoidecer.
Não era crível tanta loucura,
irracional aquela disputa.
No quarto uma alma a estremecer.
Ninguém percebeu quando o portão do mundo se abriu;
" Com licença, eu vou a luta,
mereço mudar o meu viver!"
Fechou o portão...e saiu...

terça-feira, 18 de fevereiro de 2014

O Amor de Deus

O Amor de Deus
Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves
Quando Deus criou o universo e, depois, o interior de todos os seres  viventes
transformou o amor como o mais elevado e sublime dos sentimentos.
Pilar fundamental na construção do infinito e do eterno, diretriz do Mestre
e exemplo do Seu Poder descomunal; o amor foi um gerador de energia,
a energia que deu o poder para toda a criação.
O Criador, Pai da humanidade, foi primeiro a apreender a amar,
e com amor fez a sua obra, produto fecundo da sua ação.
Depois, os seres viventes, impregnados deste sentimento sublime,
apreenderam a viver e a amar aqueles que lhes eram comuns,
dentro de si e nas suas espécies, eles amaram e amam com fraternidade,
um tipo amor que ultrapassa o apego mais comum e se transforma num todo.
E, o homem, criado a imagem do seu criador, chegou a maioridade
sabendo que o maior de todos os sentimento é o amor que vive,
e vive em forma de afeição, carinho, estima e amizade
pois, por força da criação, foi o amor primeiro gesto de afinidade,
presente do criador.
O amor não leva em conta o ciume, desapego, ódio e traição,
vive, o amor, da verdade
Então; acima de tudo...o amor.
O primeiro sentimento na criação.


segunda-feira, 17 de fevereiro de 2014

Um baú que esconde os segredos da vida

Um baú que esconde os segredos da vida
Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves
Guardo minha alma poeta em um baú que esconde segredos de toda uma vida,
não destilo traumas, falo do cotidiano aberto com suas nuanças e belezas,
ou conto um conto a toa, sem nexo, vago, pobre e sem clareza.
Sigo assim a minha jornada, juntando em blocos as letras escolhidas,
talvez de um livro perdido, no ego, que teima em querer se mostrar.
As figuras´perdidas num passado remoto são águas corridas na correnteza
que o tempo tenta reter na memória, mas não servem para abalar,
servem só para mostrar o que vale ou não vale, a alegria ou a tristeza.
Não posso me ater ao destino de poetas perdidos,
que vivem num mundo ás escuras, sem luzes, apalpando paredes;
sou, grosso, bem sei, mas não me apego ás esperanças sofridas.
A vida é o que é, então para que tentar mudar?
O destino dos homens e dos seres são jogados a sorte
de um vento tão forte que vai e vem do Sul ao Norte
e, fulminante, arrasta a vida de todos; pra lá e pra cá...
Não há quem consiga escapar.
E eu, poeta, que procuro na vida não ser errante,
onde entro nesta realidade da natureza?
Eu procuro escapar com firmeza,
levo comigo os meus versos, sem sutilezas,
sou grosso, bem sei, mas a grossura é o passaporte
de minha alma poeta que tem sentimentos escondidos
em um baú que guarda os segredos da vida.


 

domingo, 16 de fevereiro de 2014

O lar e a família

O lar e a família
Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves
O lar é o refugio de todos, proteção,
é lá que o ser encontra mimos, carinhos,
ensinamento, exemplos e proteção.
No lar ninguém está sozinho,
existe sempre o amparo, a mão amiga,
na tristeza ou na alegria.
O lar é feito de união, paz e amor
embora, as vezes, alguém baixe o barraco,
confusão,
mas como estão todos no mesmo barco,
fica logo tudo em paz na família.
A família é prole, laços de um mesmo sangue,
ou, talvez, só seres que se entendem,
de um mesmo grupo ou gangue.
Sagrado é a volta ao lar, o abraço da família,
ao fim do dia,
pode ser numa mansão ou num quartinho.
Até os pássaros voam tão alto e tão longe
mas acabam voltando a seu ninho.

terça-feira, 11 de fevereiro de 2014

A Felicidade

A Felicidade
Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves
A felicidade plena é quimera,
espera em devaneio,
de um coração que sonha com a Utopia.´
Toda alma tem seus dissabores
lá fundo nas entranhas,
em dores estranhas, gritos ou agonias.
A felicidade é estado d'ama;
um momento, de gozo, alegrias,
satisfação ou de poesia,
mas ao mundo verdeiro não acalma.
Felicidade não existe num todo,
existe, como ilha solitária,
rodeada de mágoas,
dura só um segundo,
depois volta ao normal;
as dores, os amores, as chegadas e as partidas
são momentos distintos em todas ás vidas.
É tão difícil compreender que felicidade não existe
pois a alma resiste
e procura, de modo permanente, sem findar.
Momentos felizes são uma constante,
mas não persistem,
a tendencia é logo terminar.
Como a noite, na vida de dois amantes,
é recheada de bons momentos
e de dúvidas incessantes,
assim a procura da felicidade chega a ser irritante,
o homem não nasceu pra ser infeliz,
mesmo que felicidade plena não exista,
exite aquele momento feliz.

domingo, 9 de fevereiro de 2014

Minha vida é um livro aberto

Minha vida é um livro aberto
Autores: Luiz Alberto Quadros Gonsalves
Minha vida é um livro aberto:
simples, claro, conciso, sucinto e preciso.
Não ando em rua deserta,
com Deus ninguém anda incerto,
na dor, quando alheia, estou perto
com uma palavra de afeto,
um gesto de simpatia e um sorriso.
Não receio, nem temo o perigo
mesmos em dias de tantas desgraças,
sou atento ao que precisam os conhecidos,
solidário e parceiro de todos os amigos.
Aqui e em qualquer lugar da praça
serei o mesmo, não importa a quem,
muitas vezes, na tentativa de fazer o bem,
eu até arrisco, bem sei, o que é perigo,
mas viver a vida é um gesto de entrega,
ser companheiro e integro é obrigação,
dever de todos e para todos,
dever lá de dentro, do coração.
Apreendi que Deus aos seus não nega
sua benevolência e gratidão.
Se queres uma pessoa certa na hora incerta,
Conte sempre comigo,
se a causa for justa, é certo,
estarei com certeza contigo.

segunda-feira, 3 de fevereiro de 2014

Harmonia, elegante e graciosa

Harmonia, elegante e graciosa
Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves
Para o manobrista do estacionamento
não era outro, se não aquele o momento
tão esperado na sua longa jornada.
Graciosa,
ela chega com seu carrão,
mas não tem banca não,
distribui sorrisos de ternura.
Generosa,
tem a todos no coração.
Elegante,
com seu olhar altaneiro
não esnoba, nem fere o vivente,
é só brilho de instante
somado a virtude de ser tão gente.
Doce, amiga, querida, diamante.
Harmonia ´
é o quadro que na visão do manobrista,
digna de um grande pintor
que, por ventura, desfrute aquela vista.
A moça tão linda,
Ativa, diligente e vencedora,
por todos muito querida
se dirigindo ao trabalho;
desafiadora.

Roda, roda cutia

Roda, roda cutia
Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves
-"Cadê o Jorginho?"
Da janela gritava a Dona Maria
-"Lá em baixo, foi no campinho."
Gritava faceira a Maninha,
que logo na roda entraria.
-"Roda Cutia
de noite e de dia
o galo cantava
la na casa de Joaninha"
Brincam crianças, sem dilemas,
na escola, a professora deu um tema
que será feito á noitinha.
Perto dali tinha um mato,
não distante,mas misterioso
fruto de insonias nas noites escuras,
e de mil aventuras.
De bodógue na mão
o guri era meticuloso
na caçada de um passarinho.
(hoje não é assim não,
há de respeitar os animais)
Mas tudo era tão ingenuo
inocência tão banal
que o errado não existia
nem existia o mal.
Hoje tudo é visto com malicia.
A Dona Maria não existe mais
seus filhos, formados na vida,
cuidariam dos filhos
que seriam pais
dos filhos que hoje vivem gradeados.
Bons tempos aqueles da Dona Maria
mãe de crianças que brincavam de roda cutia.

sábado, 1 de fevereiro de 2014

Déjà vu

Déjà vu
Autor: Luiz Alberto Quadros Gonsalves
Na luz dos teus olhos encontrei a paz
que havia perdido
nos descaminhos da vida.
Meu passado é uma história atribulada.
Viajava, na vida, como passageiro clandestino
sem rumo, solto, sem destino.
Não havia parada certa
sem abrigo,
era incerto o que teria pela frente,
sabia, simplesmente,
que meu termo ainda estava no porvir,
e isto me atemorizava
pois sem rumo,  perdido,
escravo e amargurado,
eu...vagava, vagava...
Foi na dobra de uma esquina,
qualquer, da existência,
realidade que não tinha mais,
algo mudou tão de repente.
Tu surgis-te na minha frente
e teu acalento trouxe a paz
minha jornada tomou outra referência.
Eu senti na luz dos teus olhos a força
do apoio na tua mão estendida
Foi veemente quando me deu a mão.
Levantei com teu amparo
não era da vida mais um cativo.
Mas os mesmos caminhos tortos que ti trouxeram
levaram a tua alma tão pura
para longe, bem distante...
Você foi morar com Deus.
Chorei ter perdido um grande amor,
mas não voltei a ser errante,
pois a tua presença não perco nunca mais.
Teus olhos, tua força, teu amor
estarão sempre comigo,
vá eu aonde for.
E passo por todas as estradas
diferente, não procuro a tua luz,
pois a luz dos teus olhos eu trago comigo.
Procuro, isto sim, encontrar naquela estrada
um momento déjà vu.

A dona de casa hoje em dia

A dona de casa hoje em dia
Autor: Maria Célia e Luiz Alberto Quadros Gonsalves
A dona de casa hoje em dia
agiliza e cuida da família,
observa o horário do marido ao emprego
do filho na escolinha
e nem a caçula lhe dá sossego.
Lava a roupa, limpa a casa, cozinha,
alimenta o mascote
espana os móveis, limpa os vidros,
sua vida não aceita monotonia,
pois corre aqui, corre acolá,
é sempre uma correria.
Além dos seus afazeres no lar
ainda trabalha fora,
de advogada, professora
faxineira,
cozinheira
cobradora.
Até, as vezes, sofre no trabalho, algum assédio,
mas não desanima, tem garra persistência,
não dá margem ao tédio
determinação, luta, é tudo ciência
A dona de casa é suprema Rainha do Lar,
tudo ela sabe administrar
e se reclamar,
as vezes é criticada.
Ouve tudo calada,
pois sabe o seu valor.
A dona de casa é mãe, esposa, amiga
e não tem preguiça de nada,
pois sabe que sua jornada não é fácil...
Mas Deus, nosso pai criador,
dá força e coragem neste dia esplendor
pois, sem a dona de casa,
o lar não tem paz e amor.